domingo, 2 de maio de 2010

Mais um dia de derepente no fim




6 reais na carteira (um pedaço de papel), 3,11 R$ no banco (digitos em uma tela) e bem longe de casa (idéia de felicidade e segurança maternal). O melhor: não é ter como se sustentar, mas ter que gerir o emprego (bem no sentido da gerência, incapaz de agir, delega), que sufoca até o desejo de consumir, me consumir de novo e de novo, indo "ao infinito e ao além"... isso me faz viver no interesse da função, da maior de todos nesse adimirável mundo novo, servir ao espírito invisível da fome consumista.

Entre o conservadorismo paralisante e o radicalismo-libertário inconsequente eu perco as ilusões diante da política, religião, educação, auto-confiança destrutiva e compreensão dos eventos, aliás eu nunca tive nada disso como verdade! Apenas como ideais a se seguir, diziam os professores no colégio: "você são o futuro da nação", eles foram, eu fui e nós aqui estamos sempre sendo guiados ao futuro que não chega! Certa vez disseram, "o futuro está no horizonte", fui ao dicionário e li, "horizonte: linha imaginária que quanto mais se aproxima, mais se afasta".

Já nós chamaram de "perdidos", "alienados", "niilistas", "anarco-capitalistas", "ateus", "vazios", "consumistas" e a melhor de todas as definições "ocas" para a nossa grande geração de empregados-consumidores. O vácuo nosso de cada dia que preeenche a besta-inteior do consumo, "queria um dia entrar dentro da linha de montagem para saber o que eu sempre produzi por 30 anos", disse certa vez um desesperado! Uma outra pessoa em menor idade disse, "porque eu visto um All Star e uma camisa do Che, já demonstra que eu me importo com o meio-ambiente". Ambas as máximas, demonstra o que todos sentem: O vazio, por isso, estão certos em nós chamar assim, e por que não afirmar o vazio em quanto sentido ao absurdo?

Não há comida sem desejo, não há vazio sem consumo! Afinal quem nós obriga a querer ser assim? O que eu posso dizer é, sobre tudo isso e mais aquilo é que:
1 - Eu não sou capitalista: Não pretendo ir à Paris comemorar maio de 68, usando um roupão de seda chinesa e fumando um charuto cubano enquanto aproveito minha bela vodka russa.
2 - Eu não sou ambientalista: Não pretendo defender a mãe-terra na mesa de um bar, contra "pessoas alienadas", pois eu sei que 1 litro de cerveja se torna 1 litro de urina, que não é tratada e é jogada diretamente nos esgotos e daí pro mar. Por isso eu sempre agradeço os "beija-peixe" porque eles ajudam a matar os golfinhos e com isso deixar jovens-velhas senhoritas enrugadas da tristeza da mortandade marinha.
3 - Eu não sou o funcionário do mês: Não pretendo me importar em mostrar serviço, abraçar a causa da empresa ou mesmo desfilar nas festas de confratenização para agradar meu chefe, que alias confirma as teses do velho barbudo. Se eles soubessem que eu pego emprestado o vinho amargo deles e devolvo urinando nos almoços com os gerentes...
4 - Entre a dúvida na realização e a servidão da ação eu prefiro o escárnio anti-pop, cristão, teutão, trabalhista, niilista, dualista, ista, ismo, is-mo, is-ta... Pista!

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