Nesses dias de insônia, ou melhor nas noites que se transformam-se em dias de luz interna, aconteceu algo de incomum. Estava eu arrumando as minhas caixas de apostilas da universidade, separando o material antigo, nomeando e classificando os textos e foi quando surgiu no meio da bagunça organizada uma foto, velha, bem antiga da qual não lembrava mais.
A foto era dela, de nós - juntos - e por um instânte (um verdadeiro flash que levaria anos para contar) vi os sentimentos com meus olhos, não os meus, mas o dela, naquele instante me aproximei e me deti ao mesmo tempo. Eu me vi pelos olhos dela, senti por seu coração sem esquecer do meus sentidos, um olhar em conjunto como num calendoscópio envolto em todo o meu universo. O objeto de papel se tornará um espelho dos nossos secretos intímos. O que eu vi, foi como tocar no absoluto do infinito, respirar o céu que os poetas cantam e proclamam em seus livros, eu respirei fundo, e naquele momento soube o que é o amor, o amor dela somado ao meu, este era tocado a dois em um só sinfonia, corpos em um desejo! Parei de olhar e começei a chorar, não de dor, nostalgia ou arrependimento, mas pela inevitável conclusão de que quando se ama, nada se perde, fica registrado no infinito, num instânte dele, todo o amor nunca se permite o fim.
A partir disso guardei a foto na caixa e voltei a dormir, ou acordar? Quem é o sonhador disse uma vez um filosófo... "Aquele que acorda e sonha"

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